domingo, 5 de março de 2017

ANOTAÇÕES PARA A HISTÓRIA DO TIRO DE GUERRA DE AMPARO


POR JOSÉ EDUARDO PIMENTEL DE GODOY-  "OS AMPARENSES"



Uma das instituições mais respeitadas e estimadas de Amparo é o nosso velho Tiro de Guerra n. 5, antigo T.G 104, e mais conhecida popularmente pela denominação de “Linha de Tiro”.
Apesar de tão querida pela população e especialmente, pelos veteranos que a serviram, essa organização militar tem suas origens mal conhecidas. Houve mesmo, há pouco tempo, uma comemoração, com a presença de oficiais generais, de uma suposta fundação do Tiro em 1925.
Trata-se de um equívoco. Essa data marca apenas a restauração do Tiro de Guerra pelo esforço do Tenente José Ferrraz de Oliveira. Ao que tudo indica, o Tiro havia sido saqueado pela coluna rebelde do Tenente Cabanas, durante a revolução de 1924, quando a cidade ficou sob ocupação dos revolucionários durante boa parte do mês de Julho desse ano.
A essa época, como se verá adiante, o Tiro de Guerra 104 já vinha prestando relevantes serviços, quer ministrando instrução militar, quer formando cidadãos patriotas e disciplinados, quer policiando a cidade em situações emergenciais. Mais
tarde, na ausência de um corpo de bombeiros em Amparo, o Tiro iria combater incêndios, remover pessoas em áreas alagadas e prestar numerosos outros serviços.
Entretanto, será difícil fixar uma data certa para a criação do Tiro de Guerra de Amparo. Isso porque há uma tentativa, aparentemente frustrada, de criar uma linha de tiro em Amparo em 1905. O jornal “O Estado de São Paulo”, de 25/6/1905, notícia
a fundação de uma linha de tiro em Amparo, dirigida por uma diretoria, composta de:
Pedro Penteado, presidente; Augusto Niglio, tesoureiro; Francisco Silva, secretário;
Ezequiel Franco, diretor da Linha de Tiro.
Nenhuma outra notícia houve nos anos seguintes, parecendo que a iniciativa caiu no vazio, apesar da adoção do serviço militar obrigatório em janeiro de 1906, por lei promulgada pelo presidente Afonso Pena. Esse, porém, foi um período de intensa luta política em Amparo, o que provavelmente dificultou a adoção de medidas para implementar a criação do Tiro.
Só em 1910, conforme o O Estado de São Paulo, de 28/7/1910, foi constituída uma “sociedade de linha de tiro”, presidida pelo Dr. José Oscar de Araújo. Desta vez a semente caiu em terreno fértil, pois, poucos dias depois, em 1º de agosto, o Correio Paulistano informava que “há muito entusiasmo em torno da Linha de Tiro que se organizou na cidade”. Em 6 de dezembro desse ano a Linha de Tiro de Amparo tomava o número 104 no Tiro Brasileiro (OESP)
Em 30 de março de 1911, outra notícia informava que estava sendo providenciado um “stand de tiro‘’. Em 21/4/1911, O Estado de São Paulo informava que a Linha de Tiro Amparense contava com novos sócios: José Ferraz de Oliveira, Argemiro de Oliveira Vasconcelos, Dr. Marcílio Dias Silveira da Motta, José Benjamim Gaspar, Antônio Carlos de Queiroz Guimarães, Dr. Virgilio de Araújo, Caetano Miéle, Leopoldino Alves de Melo, Benedito Pastana, Vasco de Queiroz Guimarães, Plínio Pacheco da Silveira, Trajano Alves de Godoy e Joaquim de Camargo Moreira.
A partir daí, a Linha de Tiro passou a fazer parte da vida da cidade, participando de todas as festas cívicas, mas também abrilhantando outras comemorações. Assim, em 18 de janeiro de 1917, o Correio Paulistano, ao noticiar a Sessão especial da Câmara para posse dos novos vereadores, informava que à noite ocorrera nova manifestação de apreço aos vereadores, tomando parte nela a Linha de Tiro 104.
Em fevereiro desse ano, o Correio Paulistano noticiava uma “Excursão de trem e almoço na fazenda do major Antônio da Silveira Melo, em Coqueiros”, presentes os membros do Diretório Político, “as câmaras transacta e atual”, a Linha de Tiro 104,
autoridade policial, comandante do destacamento, imprensa, funcionários da Câmara e senhoras e senhoritas. Foi servido almoço num galpão para 200 pessoas, com homenagem e brindes ao major Silveira Melo, ex-prefeito e anfitrião Retorno em
trem especial de Coqueiros a Amparo…
Pouco depois, o Tiro de Guerra foi chamado a assumir o policiamento da cidade, pois o destacamento policial da Força Pública fora recolhido à Capital, afetada por uma sucessão de greves e manifestações operárias. Em 18/8/1917 “O Estado de
São Paulo” noticiava que fora realizado um espetáculo de gala no Teatro Variedades, em homenagem aos atiradores da Linha de Tiro 104, “que prestaram inestimáveis serviços durante a greve dos operários na Capital”. O espetáculo terminou com um
“ ato de cabaret”, em que tomaram parte Hamilton Araújo, Francisco Cefalá,Humberto Bosini, Carlos Ferrari, A. Grossi e J. Nogueira.
Tudo mudou com a declaração de guerra à Alemanha em 26 de outubro de 1917. O Amparo foi sacudido por manifestações de rua, incentivadas pela colônia italiana, cuja pátria-mãe já estava em luta com os impérios centrais. Houve forte pressão contra os frades do Convento de São Benedito, que eram alemães, os quais acabaram sendo removidos para outro convento.
Em 11/11/1917, sob o título “Preparação militar”, O Estado de São Paulo dava notícia de um Boletim do juiz de direito sobre telegrama-circular do Dr. Altino Arantes,presidente do Estado, recomendando a formação de linhas de tiro e a incrementação
das já existentes. O juiz Dr. Flávio de Queiroz e o presidente da Câmara, Dr. Sales Camargo, enviaram telegrama ao presidente do Estado, assegurando sua cooperação na preparação militar. Na mesma ocasião houve grande reunião no Teatro João Caetano, para protestar sua inteira solidariedade ao governo da República, assim como para organizar um “Comitê Pró-Aliados”.

Em 14/12/1917 foi formada uma Comissão para angariar donativos para a compra de fardamento para moços pobres alistados no Tiro 104 composta de Inácio da Silveira Pupo, Amadeu Gomes de Sousa, e Dr. José Leite de Sousa (O Estado de São
Paulo ).
Em 14/1/1918 , segundo o “Correio Paulistano”– O sargento Faustino Rodrigues, instrutor da Linha de Tiro 104, de Amparo, pretendia realizar um “raid” de resistência, entre os atiradores, instituindo prêmios para os quatro primeiros lugares, embora o
calor fosse sufocante, tendo o termômetro marcado 36,3 graus. E as chuvas eram copiosas. E o entusiasmo bélico não se limitava ao Tiro de Guerra. Estava organizado o Club da Guarda Nacional, sendo presidente honorário o coronel João Belarmino Ferreira de
Camargo; presidente; o major José de Paiva Vidual; tesoureiro, o tenente Virgílio dePaiva; secretários o tenente José Ferraz de Oliveira e o capitão Antônio Emígdio da Costa.
Nesse mesmo mês de janeiro, no dia 24, de Itapira partiu para Amparo a Linha de Tiro 393, sob o comando do sargento Vítor Rodrigues dos Santos, tendo feito no primeiro dia 20 quilômetros e no dia seguinte à tarde entraram na cidade de Amparo,
onde foram recebidos festivamente. As famílias dos atiradores itapirenses seguiram para cá em trem especial. (O Estado de São Paulo)
O Correio Paulistano, de 26/1/1918 , informa também que a população da cidade foi surpreendida com a notícia da próxima chegada dos atiradores da Linha de Tiro 393 de Itapira, e de uma comitiva de familiares que chegou de trem; foi servido um almoço
a todos no Hotel Zucchi e à noite houve baile no Club 8 de Setembro em homenagem aos visitantes.
Meses depois, em 30/5/1918, era “O Estado de São Paulo” que informava: “Longa marcha noturna do Tiro 176 de Campinas, em direção a Amparo, com um descanso na Fazenda Roseira, passando por Pedreira, onde tomou um lanche no Hotel Gallo, e
Coqueiros. Os atiradores foram aguardados a 8 quilômetros de Amparo por uma comissão de Amparo, composta do Dr. Virgílio de Araújo, Dr. Aristides Fernandes, Dr Paulo Silva Pinto, Bertoldo Pires Pimentel e Antônio Costa. Ao entrarem na cidade foram recebidos pelo Tiro 104 e desfilaram pelas ruas 13 de Maio, Praça Barão do Rio Branco e 15 de Novembro até a sede do Tiro 104, onde ficaram alojados. Retornaram a Campinas pelo trem das 12 horas, depois de tomar parte no hasteamento da bandeira.”
Havia, porém, a essa altura, quem não estivesse satisfeito com Tiro104, pois existia uma disputa política pela direção dessa organização militar. Como resultado, a própria nota do jornal expressava críticas, informando que uma comissão de senhoritas
angariou fundos para adquirir uma bandeira para o Tiro 104, mas ainda não houve a entrega, devido “ao desânimo geral que lavra entre os atiradores”. Aliás, desse texto consta uma longa lista de senhoras e senhoritas que contribuíram para a compra da
bandeira. No mesmo número é descrita a Festa dos Escoteiros, com o juramento à bandeira pelo primeiro corpo de escoteiros de Amparo, sob escolta do Tiro 104, e direção do Sr. Horácio da Silveira.
O Tiro 104, porém, a despeito das críticas e das dificuldades habituais, continuava a formar dezenas de reservistas todo ano. Uma tentativa de rebelião em alguns quartéis do Rio de Janeiro, em julho de 1922, não teve repercussões importantes em São Paulo e, muito menos, em Amparo. Ficou para a História apenas a legenda de heroísmo dos “18 do Forte de Copacabana”
Mas, dois anos depois, em julho de 1924, alguns quartéis do Exército e da Força Pública na Capital se rebelaram e dominaram a maior parte da Capital. Pior que tudo, voluntários estrangeiros constituíram batalhões e apoiaram a revolta; pela primeira vez em muitas décadas, paisanos se integravam a forças revolucionárias . Tropas do Governo Federal cercaram a cidade de São Paulo e a submeteram a severo bombardeio de artilharia durante semanas.
Enquanto isso, uma coluna rebelde, sob comando do tenente Cabanas,audaciosamente conquistou Campinas e depois ocupou sucessivamente Pedreira, Amparo e Itapira. O Tiro de Guerra 104 não podia enfrentar essa tropa bem armada e,
assim, Amparo ficou durante vários dias em poder dos revoltosos. A extrema dificuldade que encontramos em consultar a documentação local, em poder do Museu e da Casa de Cultura, nos impede de afirmar com certeza, mas é de se presumir que o armamento do TG, guardado na Prefeitura tenha sido saqueado pelos revolucionários. Todo o trabalho dos últimos anos estava perdido…
Entretanto, o então jovem tenente José Ferraz de Oliveira moveu céus e terras para reerguer o Tiro de Guerra, conseguindo armas e munição para o restabelecimento da instrução militar.
E conseguiu sucesso. Em 1925 é incorporada à Diretoria Geral de Tiro de Guerra “como pelotão de tiro n. 104” a Sociedade de Tiro com sede em Amparo. Graças aos esforços do tenente José Ferraz de Oliveira fora reorganizada a antiga Linha de Tiro n.
104. A sede provisória seria na Prefeitura Municipal. A Diretoria do Tiro era composta de: Afonso Celso de Moraes Franco, Antônio Zeferino de Carvalho, Hermínio de Sousa Moraes, Dr. Carlos Burgos, Dr. Aristides Fernandes, Joaquim Siqueira de Camargo,
Antônio Muniz Filho e Virgílio de Paíva Júnior. (Correio Paulistano de 21/8/1925 e 31/8/1925)
Em 1926, quando da Inauguração da estrada Amparo/Jaguari, com a presença do presidente do Estado, Carlos de Campos, e de outras autoridades, a cerimônia realizada em Amparo foi abrilhantada com a Banda da Força Pública, a banda
Progresso Amparense e o Tiro de Guerra 104, sob comando do tenente José Ferraz de Oliveira. (?/1926 – A Vida Moderna)
A realização de exames teóricos e práticos no Tiro de Guerra 104, foi noticiada em 13/9/1926, pelo Correio Paulistano, constando o Sargento Lourenço Lago, como instrutor e os Tenentes José Ferraz de Oliveira, Oswaldo Viriato de Oliveira e Anibal de Andrade como examinadores. O subsequente juramento à bandeira contou com discursos de Assis Cintra, Aristides Augusto Fernandes, e Capitão Carrão de Sá. Américo Ferreira de Camargo era o presidente do Tiro 104.
Em 29/5/1927, nas exéquias em Amparo pela alma do Dr. Carlos de Campos, presidente do Estado, mandadas celebrar pela Câmara Municipal, em frente ao templo formou uma companhia do Tiro 104 afim de prestar as homenagens de estilo (Correio Paulistano)
Outro exame dos candidatos a reservistas do Tiro 104 perante os oficiais do Exército, Capitão Carlos Santiago e tenentes Carlos Vilaça e Anibal Andrade, foi objeto de notícia pelo Correio Paulistano, em 26/8/1927. 130 atiradores foram aprovados e a
cerimônia de juramento à bandeira realizou-se no campo do Amparo A. Club, com discursos do Dr. Benedito de Toledo e do Tenente Carlos Vilaça – A Srta. Irene Araújo foi a paraninfa da turma.
O tenente José Ferraz de Oliveira, que era alma da organização, participou pelo Tiro de Guerra 104 de reunião da comissão de festejos para o centenário da cidade, em 6/7/1929 (O Estado de São Paulo). E por ocasião das festas, de 6 a 9 de setembro, os Tiros de Guerra 104, de Amparo, e 443, de Serra Negra, deram sua contribuição, em desfiles e formaturas em homenagem às autoridades visitantes.
Nos últimos dias de 1929, já em plena crise do café, o Tiro de Guerra passa a ter novo instrutor, o sargento João Egídio de Sousa (20/12/1929 – Correio Paulistano). Sob o comando dele, o Tiro 104 realizou no ano seguinte uma excursão a Itatiba, na
distância de 40 quilômetros, regressando à tarde, em caminhões fornecidos pela Câmara Municipal de Amparo. (7/5/1930 – O Estado de São Paulo).
O Tiro 104 também procurava se integrar na vida da cidade promovendo eventos abertos aos paisanos. Assim, em 9/5/1930, o “Correio Paulistano” publicava o resultado do Concurso de Tiro no Stand do Tiro 104: Rodrigo Botelho, medalha de
ouro, José de Araújo Cintra, medalha de prata, e Moacir Godoy, medalha de bronze.
O partido situacionista havia ganho as eleições para a Presidência da República e, apesar da fortíssima crise, tudo indicava que as coisas iam continuar na mesmice de
sempre; parecia… Repentinamente, o candidato da oposição derrotada a vice-presidente da República, João Pessoa, presidente da Paraíba, foi assassinado por questões pessoais. Foi o quanto bastou para que eclodisse no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e na Paraíba, um forte movimento sedicioso, com apoio das guarnições locais do Exército e de milhares de voluntários.
Um enorme batalha estava prevista em Itararé, entre as forças revolucionárias vindas do Sul e as tropas federais. O governo federal convocou todos os homens válidos para a luta. O recrutamento começou desde logo.
Em Amparo a Câmara Municipal e o Diretório Político reuniram no edifício da edilidade os funcionários e outras pessoas de todas as classes sociais. O presidente da Câmara, Dr. Aristides Fernandes, fez um apelo pela colaboração de todos, pedindo que se alistassem na “Legião Amparense”, organizada por um grupo de patriotas. Apelou também para que se organizasse uma Guarda Municipal para o policiamento das ruas, pois os reservistas do Tiro 104, que estão fazendo esse serviço, teriam que se retirar para a Capital. Dr. Benedito de Toledo propôs que se constituísse uma comissão para organizar a Guarda Municipal, composta do Dr. Aristides Fernandes, Benedito da Silveira Pupo, prefeito em exercício, coronel Alonso Dantas Pereira e Dr. Virgílio de Araújo, pelo diretório. O coronel Alonso pediu dispensa, pois pretendia seguir com a Legião Amparense. (15/10/1930 – Correio Paulistano)
Mas era tarde. A 29 de outubro de 1930, na iminência da entrada de forças revolucionárias no Rio de Janeiro, uma junta militar derrubou o presidente Washington Luís, pondo fim a 40 anos de domínio do Partido Republicano.

Iam começar novos tempos. Tempos difíceis… inclusive para o Tiro de Guerra 104.
Os novos líderes locais, apesar da crise e de outros inúmeros problemas, não deixaram de se preocupar com o Tiro de Guerra. O prefeito Plínio do Amaral e o sargento Egídio de Sousa já no primeiro dia de janeiro de 1931 estudavam a reorganização do Tiro de Guerra. Em 18 desse mês o Tiro estava reorganizado e com nova diretoria: Dr. Carlos Burgos, presidente, Joaquim Siqueira de Camargo, vice; Clóvis Ferreira de Camargo, secretário, Sebastião Paiva Vidual, tesoureiro; Arthur Alves de Godoy, Dr. Demétrio de Toledo e Dr. Virgílio Franco, membros do Conselho Fiscal. (OComércio)
Entretanto, a crise econômica foi mais forte. O desemprego e as falências tornaram-se assustadores. Em 6/9/1931, o TG foi suprimido por falta de freqüência
mínima, sinal de que os jovens estavam emigrando em massa.
Em 1932 a Revolução Constitucionalista provavelmente resultou mais uma vez em problemas: o armamento deve ter sido destinado a outro fim: armar o Batalhão 23 de Maio, constituído de amparenses.
A crise, porém, não dava tréguas. Terminada a Revolução, acentuou-se ainda mais a emigração da população, quer para a Capital, quer para o Norte do Paraná, quer
para a Alta Paulista. A cidade encolhia visivelmente. Em 29/5/1935 foi “encostado” o TG 104, de Amparo, “por falta de atiradores em número suficiente para funcionamento”.
Algum tempo depois o TG foi restabelecido. Mas já sopravam outros ventos Havia confusão no mundo… Em breve iria eclodir a Segunda Guerra Mundial. Três dezenas de ex-atiradores foram combater em 1944 na Itália, recrutados para a FEB.
Por trágica coincidência, o primeiro brasileiro morto em combate é o amparense Atilio Piffer, ex-atirador do TG 104, e o último brasileiro morto é Hilário Zanesco também amparense. (Diário da Noite)
Em 1946 o TG era comandado pelo Sargento Farias, pai da Dalva e Eunice, colegas do autor destas linhas no colégio das freiras . A sede era no sobradão do Carneiro na Rua XV. O sargento Lucas Cardoso da Silva era o subcomandante.
O Tiro de Guerra acabara se firmando; a crise e a guerra já eram passado;Amparo começava a se recuperar desses traumas terríveis, mas a emigração dos jovens continuava. Só que, agora, havia uma diferença: só emigravam depois de prestar o serviço militar no TG…
Em 1956 chegou minha vez de envergar a farda do TG, servindo sob as ordens do agora subtenente Lucas Cardoso da Silva (foi promovido durante esse ano). E foi nesse ano que teve início da construção do atual quartel sede do TG. Fui designado
para chefiar um grupo que abriu os alicerces da sede. Também fui encarregado de comandar a “trincheira” no “stand”, tarefa perigosa porque de vez em quando uma bala ricocheteava em pedras e vinha parar dentro da trincheira.
A turma de nascidos em 1937 era grande, uma centena de rapazes. Vou me lembrar dos que puder: Adão, Alaor, Alceu Caminada, Alcides (Cid), Toninho Bossi,Toninho Mineiro, Gó, Waldir Beira, Darci Pereira, Rottinha, Sérgio Jorge, Sérgio Lotti,
Flávio Barbosa, Yukio, Orlando Tavella, Fuzetto, Orlando PM, Idenil, Paulo Boneca, Zé Pagan, Zé Guarizzo, Zé Carletti, Roque, Pratelli, João Pedro de Campos Leme, Paulo Maricato, e o 57, autor destas linhas. O comando era dos Sargentos Lucas e Carneiro e
a sede ficava na rua Antônio Prado (prédio já demolido), a instrução na Praça Meireles Reis, na calçada da Empresa Elétrica… Lucas e Carneiro chegaram a capitães no Exército e tive a honra, anos depois, de ser professor do sargento Carneiro na Escola
Técnica de Comércio, um dos melhores alunos do seu tempo.
Época maravilhosa! Companheiros de armas que seriam soldados sem igual no Mundo, tal era o espírito de corpo e a harmonia que reinava entre os atiradores. Não houve um único atrito entre nós nesses nove meses de instrução.
O Tiro de Guerra, já com a denominação de TG-5, continuou formando milhares de reservistas em Amparo, liberando as forças armadas de pesada despesa com o treinamento de tantos soldados dentro de quartéis.
Afastado de Amparo, por força de meu cargo na Receita Federal, passei décadas sem contato com o TG-5. Mas sei de pelo menos dois grandes serviços prestados à nossa comunidade pelo Tiro: em 1960 o Tiro de Guerra auxilia nocombate a um incêndio na praça da Bandeira, na casa de d. Rosa Rotta, cortando o
telhado do prédio e impedindo que as chamas se alastrassem. E, em 1970 o Tiro evacua em pequenas embarcações moradores das Casas Populares, ilhados pela enchente do Camanducaia

Guardei a farda durante uns vinte anos, até que as traças a derrotaram. A maior parte da nossa turma já se foi para o Além. Espero um dia reencontrá-los, mas quero uma farda nova…

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

VISITA GUIADA NO OBELISCO

Aos amigos (as) leitores (as) e entusiastas da Revolução Constitucionalista de 1932, compartilhamos um convite para um programa imperdível. 


Maiores informações com o Professor Rodrigo Gutenberg, Presidente do MMDC NORTE.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A Primeira Advogada da História de Amparo



Publicamos no último dia 10 de fevereiro no Jornal A TRIBUNA de Amparo uma preciosa matéria em que brindamos o leitor amparense com um dado muito importante e desconhecido, qual seja o de que ainda é viva a primeira advogada da história de Amparo: DELZIE FERRAZ DE CAMARGO BOMFIM.
Formou-se na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, berço do liberalismo no Brasil e uma das manjedouras do ideal democrático norteador da Revolução Constitucionalista de 1932.






terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

LANÇADOS O NOVO BRASÃO E INSÍGNIA DA SOCIEDADE VETERANOS DE 32

Cumprindo a missão de sempre se renovar e se atualizar, a Sociedade Veteranos de 32, no último dia 24 de janeiro, lançou seus novos distintivos: um novo BRASÃO  e INSÍGNIA. 
Os novos emblemas foram criados pelo Presidente da Sociedade Veteranos de 32, Cel. Mário Fonseca Ventura e pelo Presidente do Núcleo MMDC de Atibaia, Hernanny Gutierrez. A recriação escultural ficou a cargo do Historiador e artista plástico Professor Rodrigo Gutenberg, também Presidente do Núcleo MMDC Norte.
O antigo distintivo da Sociedade não foi abandonado, passando a ser a bandeira oficial da entidade.







quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

OS 463 ANOS DA CIDADE DE SÃO PAULO




Ao lado do 9 de Julho e do 23 de Maio, o 25 de Janeiro encabeça o rol das datas magnas de São Paulo. Foi no verão do ano de 1554 que a obra dos Jesuítas liderados pelo Padre Manoel da Nóbrega firmou uma de suas indeléveis ações: a criação da cidade de São Paulo de Piratininga, aglomerado urbano que se tornaria a maior e mais importante cidade do Hemisfério Sul do planeta Terra.
Guardando 463 anos de um passado glorioso, a cidade de São Paulo sempre se renova, bebendo da experiência dos feitos do passado, cultivando o presente e ordenando o futuro.
O dia de 25 de janeiro de 2017 é de festa e celebração pelo aniversário da mais importante e simbólica cidade brasileira.

Brindamos os estimados leitores com uma belíssima série de pinturas do artista plástico HENRIQUE PASSOS, que eternizou em suas telas imagens do passado paulistano.























segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

BENEDITO CALIXTO: UM PINTOR PAULISTA

Em que pese toda a problemática das mazelas da preservação do nosso passado, temos de reconhecer o grau de privilégio do Estado de São Paulo em relação a certos quadrantes da história de Piratininga, invejável se comparado a outras unidades da federação.
Há notável mapeamento de nossa geografia, da genealogia (Pedro Taques e Silva Leme) e grande parte dos acontecimentos históricos de renome foram registrados e tornados literatura.
A figura do paulista BENEDITO CALIXTO é, nesse contexto, obrigatória quando se trata de avultar elementos centrais deste projeto de preservação.
Pintor de renome, eternizou em suas telas as principais passagens da história Bandeirante, ainda que imaginando-as dado o correr dos séculos. Foi também retratista dos principais nomes de seu tempo, como governantes e membros de abastadas famílias.
Entretanto, enganam-se aqueles que restringem o campo de atuação deste paulista a telas e outras obras de arte criadas pelas penas e pincéis. Benedito Calixto foi também insigne genealogista e historiador da terra paulista, escrevendo uma das mais referenciais obras sobre o histórico das Capitanias Hereditárias do Brasil Colônia, dando enorme suprimento historiográfico ao estudo da fundação e desenvolvimento da Capitania de São Vicente e, posteriormente, Capitania de São Paulo, enorme torrão de terra que compreendia, entre outros, o Estado de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso etc.
Desse modo, fazemos aqui um rápido registro da importância fulcral do nome de Benedito Calixto à historiografia e cultura brasileiras, convidando o (a) prezado (a) leitor (a) a se aprofundar na biografia deste surpreendente paulista.
Hoje, suas telas, valiosas tanto do ponto de vista cultural como do econômico, são peças de Museus e de coleções particulares e simbolizam a eternização da história de São Paulo, sendo, na maioria das vezes, inéditas e únicas ao fim proposto pelo demiurgo.
Viva Benedito Calixto!

Auto- retrato


Padre Anchieta

Fundação de Santos

Fundação de São Vicente

Igreja do Carmo e Pelourinho

Largo da Sé

Casa Martim Afonso de Souza

Martim Afonso de Souza

Maestro Carlos Gomes

Imperador D. Pedro I

Marechal Deodoro da Fonseca

Bandeirante Domingos Jorge Velho